Processos de fusões e aquisições e a importância da due diligence

2016-07-13


Os processos de fusão e aquisição são mais do que a mera junção de empresas. Acima de tudo, trata-se da junção de diferentes políticas, culturas e métodos de trabalhos, que envolve pessoas com diferentes convicções e formas de viverem as organizações nas quais estão e são integradas.

É óbvio que a base do sucesso destes processos encontra-se na sua génese, ou seja, no objetivo da fusão ou da aquisição e a sua correta e clara definição, o qual não poderá ser atingido sem uma equipa de gestão ciente e comprometida com o atingir das metas pré-estabelecidas aquando do negócio. Para tal, não pode ser ignorada a cultura e valores vigentes nas organizações implicadas do negócio, devendo respeitar-se as mesmas por forma a fundi-las numa só. Este fator é mandatório, devendo ser preparado com o mesmo cuidado do budget ou do plano estratégico, implicando o envolvimento dos gestores e responsáveis de topo por forma a comprometer os mesmos com o sucesso da operação.

É claro que estes processos dependem sobretudo da forma como a interligação é feita, sendo que o efeito imediato da junção é o mais vantajoso, colocando os recursos ao mesmo nível e fazendo com que os problemas sejam discutidos e tratados de forma mais célere e integradora. O adiar implica muitas vezes dispêndios mais elevados do que os que se teriam se a interação fosse proporcionada no imediato. Como é óbvio, para se chegar a este ponto é necessário concretizar a operação. Assim, os processos de fusões e aquisições assentam sobretudo no acordo estabelecido entre um vendedor e um comprador, sendo que em muitos casos, sobretudo no universo das PME, estes negócios são realizados sem tomar as devidas precauções ou ter o suporte de profissionais especializados nas diferentes áreas implicadas no negócio.

O acordo de compra e venda tem por base normalmente uma carta de intenções, seguindo-se então um processo de due diligence que irá permitir aferir as não conformidades, quer sejam elas a nível jurídico, financeiro, fiscal e ambiental. Como tal, este processo de due diligence, vulgo DD, deverá ser efetuado por profissionais experientes e especializados nas diferentes áreas em analise, não se devendo excluir nenhuma das áreas referidas por força da importância de cada uma delas, podendo isso sim, serem abordadas de forma diferente, consoante os termos e fatores envolvidos no negócio ou ainda a fórmula de formação do preço.

As DD financeiras colocam normalmente o seu foco nos ajustamentos que impliquem mutações no ajustamento do preço, por exemplo o EBITDA. Isto não poderá implicar o desprezo das restantes áreas, sob pena do surgimento de futuras contingências. Em muitos casos, o âmbito é tratado com menor ou maior abrangência, dependendo dos recursos e objetivos do comprador. A complexidade, dimensão e natureza do negócio deve ser levado em conta quando se define a extensão do trabalho de due diligence a desenvolver, e com referência às diferentes áreas que deverão ser objeto de análise.

 

Artigo elaborado por João Gomes, Head of Valuation & Business Modelling do grupo Moneris